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Opinião


Oportunidade renovada

O mundo mudou muito desde o 15 de setembro de 2008, quando a crise dos subprimes eclodiu na forma da crise financeira global. Agora, acentuam-se os efeitos dessa crise na economia real, na forma do desemprego, da perda de renda e da retração econômica.

O Brasil não é uma ilha na economia global. Sente agora duramente, sobretudo na indústria, os efeitos da crise, mas ainda assim continua bem posicionado. Especialmente em TI, o país vê renovadas as suas oportunidades de ocupar uma posição de liderança na exportação de serviços de TI, ao lado da Índia.

As exportações brasileiras de TI em 2008 estão sendo recalculadas pelo IDC ? contratado pela Brasscom e pelo MCT para desenvolver um estudo ? e os números, ainda preliminares, surpreendem. Estamos melhores do que pensamos, neste quesito. As exportações estão acima de US$ 1,3 bilhão e, mesmo considerando o efeito da desvalorização do real, as perspectivas para atingirmos US$ 3,5 bilhões em 2010 são boas.

Agora, o que falta fazer? Faltam, basicamente, três coisas:

Primeiro, um convencimento por inteiro da sociedade brasileira, do governo e do setor privado, de que as TIC são a ferramenta, por excelência, da competitividade e do aumento da produtividade nas sociedades modernas, local e globalmente. O emprego desta ferramenta é crucial tanto na alta como na baixa, inclusive no presente terremoto dos mercados no mundo.

Segundo, falta investir ainda mais decididamente na ampliação da oferta de mão-de-obra qualificada em TI, especialmente com jovens capazes de se expressarem adequadamente em língua inglesa. Para atingir a meta de expandir as exportações até US$ 3,5 bilhões em 2010, o mercado demandará 45 mil novos profissionais com essas habilidades. A base atual desses profissionais será triplicada em dois anos. Forte investimento em qualificação será necessário.

Terceiro, falta um novo ajuste de custos comparativos internacionalmente. Com a soma de todos os incentivos existentes, o Brasil segue 50% mais caro do que seus principais concorrentes, sobretudo por conta dos encargos que pesam sobre a mão-de-obra. É preciso reduzir esta margem para algo entre 30% e 40%, no que muito podem contribuir Estados e Municípios, além do governo federal.

Mesmo com diferenças de custos, o mundo e as empresas brasileiras sabem perfeitamente que poucas nações têm o vigor e a capacidade de resposta que o Brasil tem em TI. Vale aproveitar a oportunidade.

Antonio Gil
Presidente da Brasscom



 
    Opinião:
 

O mundo e as empresas brasileiras sabem perfeitamente que poucas nações têm o vigor e a capacidade de resposta que o Brasil tem em TI.

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