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Especialistas sugerem agenda comum para o setor na AL
Por: Thaís Trapp
Diferenciar-se da Índia e da China por meio de uma estratégia que foca a qualidade; aproximar ainda mais as políticas públicas das ações do setor privado e buscar uma ação comum no Mercosul e na América Latina são os desafios do setor de ITO / BPO no País e regionalmente. Tais foram os principais pontos levantados pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e pelo presidente da Brasscom, Antônio Gil, no seminário ?A América Latina no mercado internacional de tecnologia da informação?, realizado pela Consultoria Brasileira de Assuntos Internacionais (Prospectiva) e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), na sexta-feira, dia 22/8.
Seguido de almoço, o evento contou com a participação de Alberto Pradilla, presidente do Conselho da Fedesoft, da Colômbia, e Sergio Carrera, diretor geral de Comércio Interior e Economia Digital da Secretaria de Economia do México, o que permitiu uma importante troca de pontos de vista a respeito do posicionamento do Brasil e da América Latina ante o offshore.
Em seu discurso, Pradilla revelou que a Colômbia pretende exportar US$ 1,3 bilhão e gerar de 32 mil novos empregos em TI até 2012. ?Este esforço teria um impacto significativo na economia, graças aos efeitos adicionais sobre outros setores, em função do aumento da produtividade?, ressalta. Segundo Carrera, em 2007, o México exportou US$ 2,2 bilhões em TI, e pelo segundo ano consecutivo, a indústria cresceu 16%, quatro vezes mais que a média da economia. ?Nosso objetivo é criar condições para que o México conte com um setor de serviços de TI competitivo internacionalmente, além de assegurar um crescimento no longo prazo e ampliar a promoção do país?, afirma o representante mexicano.
Concorrência Para Luciano Coutinho, com a inflação sob controle e a economia estabilizada e apta a enfrentar um possível choque de preços externos, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) torna-se um importante reforço para manter crescentes os investimentos no Brasil. Segundo o presidente do BNDES, espera-se que a taxa de investimentos salte dos atuais 18% para 21% do PIB até 2010. No mesmo período, Coutinho estima crescimento significativo da área de software e serviços, com expansão superior à do PIB do País. ?Queremos aumentar a participação brasileira no mercado global, com a exportação e a formação de grandes empresas?, afirma.
Para ter chances no mercado externo, o presidente do BNDES diz que o Brasil não deve concorrer com China e Índia por preços, mas por qualidade. ?Em termos de qualidade, somos superiores aos que competem conosco?, diz Coutinho. ?A Índia, por exemplo, parece ter baixa agregação de valor. Poderíamos, então, competir não apenas por questões de fuso horário, mas também de qualidade?, completa. ?A meta da PDP é criar empresas com faturamento de mais de US$ 1 bilhão. Esperamos ver um processo de consolidação das empresas nacionais, e queremos, obviamente, que as empresas estrangeiras se consolidem no Brasil?, diz Luciano Coutinho.
Player mundial Apostando no potencial do País, a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) une esforços para torná-lo um dos três centros globais de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). ?A Brasscom, junto com o governo brasileiro, vai transformar o Brasil em um dos três players mundiais, com a Índia e a China?, enfatiza Antônio Gil. ?Não há nada melhor do que uma boa idéia cujo momento chegou?, declara o presidente da entidade, referindo-se à fase de crescimento em que vive o País.
Segundo Gil, as empresas globais estão ?desesperadas? para encontrar uma alternativa para a Índia e, por isso, esse é o momento ideal para o Brasil. ?Quando o Brasil quer, e tem iniciativas privadas em junção com as iniciativas públicas, o Brasil faz?, enfatiza. ?As empresas do setor, mais o governo, tornarão o Brasil um IT power?, acrescenta.
Grande parte dos especialistas presentes no evento, entretanto, revela que é preciso haver integração e cooperação entre os países latino-americanos para que se consiga competir com Índia e China. ?Os países da região vêm adotando políticas públicas para melhorar a competitividade das empresas de TI. Brasil, México, Argentina e Costa Rica têm programas interessantes e agressivos. As medidas, no entanto, são tomadas individualmente, sem levar em consideração o potencial do conjunto latino-americano?, avalia Ricardo Mendes, sócio-diretor da Prospectiva.
De acordo com Mendes, o Brasil está entre os países que mais investem em TI no mundo e é hoje o líder do setor na América Latina, com um mercado que movimenta mais de US$ 16 bilhões por ano. Um ranking da consultoria AT Kearney revela que, no mundo, o País é o quinto mais atrativo para se realizar investimentos no setor, à frente de seus principais concorrentes. ?As pessoas não sabem que estamos falando do oitavo e mais sofisticado mercado do mundo?, ressalta Gil, da Brasscom.
Para Cláudio Bessa, diretor de marketing, alianças e novos negócios da Totvs, a Índia e a China são duas grandes potências mundiais e, por isso, é difícil para o Brasil competir sozinho. ?Quando a América Latina entra como um player único, a chance é muito maior?, afirma. Para Frank Almeida de Souza, da divisão de serviços do Ministério das Relações Exteriores, entretanto, o grande desafio do Brasil é combinar o mercado doméstico ? já muito bem estruturado ? à agressividade do mercado externo. ?A idéia é que o setor privado ajude o governo brasileiro na divulgação da marca no setor?, sugere.
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