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International Business Times | Por Jose Alface Notícia publicada em 9 de julho de 2009
Mesmo que o Presidente Lula da Silva esteja errado, ao dizer que "Deus deve ser brasileiro?, o país está vivenciando milagres com seu progresso econômico notável, enquanto grande parte do mundo sofre com um recuo, em virtude da recessão econômica.
O crescimento contínuo de seu PIB levou à expansão da classe média que agora detém o mais alto poder de compra de sua história. O Brasil possui cerca de 1/5 da água doce do mundo, permitindo a ampliação de sua produção agrícola e a geração de eletricidade livre de carbono, ao mesmo em que as descobertas recentes de reservas de petróleo criam uma atmosfera de prosperidade ? uma fonte de atração de investimento estrangeiro.
"Quando há turbulência no mercado internacional, mas em compensação, um país possui uma posição crescente no mercado, ele pode superar a crise com maior facilidade?, disse o Embaixador Brasileiro nos EUA, Osmar Chohfi, ao IBTimes, falando sobre a situação atual da economia do Brasil.
Enquanto a economia global sofreu uma queda, o PIB do Brasil teve um aumento de 5.1 % em 2008, acima da média da maioria das economias dinâmicas, e o País conseguiu juntar mais de US$200 bilhões em reservas internacionais, de acordo com o Banco Central brasileiro.
No mesmo ano, o investimento externo direto (IED) no Brasil teve um aumento de 30 % em relação a 2007, registrando um total recorde de US$45 bilhões, enquanto o mundo enfrentava uma queda de 21 % no IED, de acordo com dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.
Apesar do desempenho melhor do que da maioria, o Brasil não está imune à crise econômica. Seu PIB sofreu uma queda de 0.84% no primeiro trimestre de 2009 ? muito menor do que o esperado (-3.0% to -0.9%, de acordo com a Agência Estado, a maior agência de notícias do Brasil), mas citando o Ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, em uma conferência em Nova York no final de abril, ?o País tem tudo para ser o primeiro a sair da crise?.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial teve um aumento em fevereiro de 1.8 %, em relação a Janeiro de 2009, encerrando uma sucessão de três resultados negativos. O consumo de energia em março cresceu 2.1% , comparado ao mesmo período do ano passado.
Em junho, o Brasil quebrou seu recorde de venda de automóveis, com 300.174 novos veículos, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. No primeiro trimestre de 2009, 1.45 milhões de novos veículos foram vendidos, após as medidas fiscais e o estímulo econômico implementados pelo governo.
Embora o País tenha prosperado substancialmente, ainda existem desafios importantes para esta nação latina.
Primeiro, o Brasil precisa adaptar seu sistema burocrático antigo com o modus operandi do mundo atual de negócios. O sistema fiscal da nação e a alta tributação devem ser revistos rápida e efetivamente.
De acordo com Chohfi, o governo brasileiro está ciente desses problemas e está determinado em melhorar seu ambiente de negócios, mas essas questões políticas demorarão a ser resolvidas em virtude de sua complexidade.
Antonio Rego Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação Software e Comunicação (Brasscom) disse em uma conferência em Nova York que a lei trabalhista do País, que foi promulgada em 1943, passa atualmente por uma revisão.
"Esperamos que a nossa lei trabalhista seja revista, ainda na administração do Presidente Lula", disse Gil em uma conferência realizada pela Câmara de Comércio Brasileira-Americana. Apesar de a revisão estar em andamento, ainda existe muito a ser feito antes que ela possa ser adaptada.
Sentimento atual do investidor Alcoa, o maior produtor de alumínio do mundo, disse que continuará com seu programa de investimentos de US$8 bilhões até 2010, apesar da atual crise econômica. Após investir US$900 milhões no ano passado no Brasil, a Telefônica SA, espera aumentar seus investimentos em 20 % este ano.
Wal-Mart is está investindo US$730 milhões na abertura de novas lojas no Brasil. "O Brasil não está imune, mas ele crescerá este ano", disse Hector Nunez, presidente nacional da empresa.
O Citigroup enfatizou seu interesse em acelerar suas operações no Brasil, enquanto a crise desafia o sistema financeiro mundial.
"Não há dúvidas de que, com nosso foco na globalização e nos mercados emergentes, o Brasil é muito importante?, disse o CEO do Citigroup Inc. Vikram Pandit, em uma conferência em São Paulo, há duas semanas. "Nossa meta é dar continuidade à expansão das operações brasileiras, à medida que os consumidores brasileiros crescem e a indústria brasileira torna-se cada vez mais multinacional".
Com a forte queda no preço de petróleo cru este ano, a Petróleo Brasileiro SA (Petrobrás), está se preparando para tornar-se um dos cinco maiores produtores do mundo. A empresa estatal de petróleo está captando investimentos para ampliar seu negócio. A empresa assinou recentemente um acordo de empréstimo de US$10 bilhões com o China Development Bank.
"Os US$10 bilhões serão utilizados em nosso plano estratégico que precisará de (um investimento de) US$174.4 bilhões a partir de agora, até 2013," disse o CEO da empresa José Sergio Gabrielli de Azevedo.
Enriquecido pelas recentes descobertas de petróleo, o Brasil cresceu de forma substancial; ele poderia potencialmente transformar-se em um exportador de petróleo cru, de acordo com o analista Jean Ergass, da Jean Ergass Consulting.
"[O Brasil] tem o potencial para, de médio a longo prazo, tornar-se um exportador de petróleo cru, com a diminuição na demanda interna em virtude do uso extensivo de energia alternativa", disse Ergass.
Seu Banco Central é eficiente no estímulo de políticas de controle da inflação. Ao mesmo tempo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Federal tiveram um papel importante na concessão de crédito e na promoção de iniciativas locais.
Seu índice na bolsa de valores teve um crescimento extensivo, como pode ser visto no mês passado, quando a afiliada brasileira do Visa Inc. obteve US$4.3 bilhões na maior oferta pública inicial do mundo em mais de um ano. Os títulos da BM&F da BOVESPA e os mercados de renda fixa comercializaram US$680 bilhões e registraram um volume médio diário financeiro de US$2.74 bilhões em 2008, um aumento de 14.7 % e 12.9 % respectivamente em relação a 2007, de acordo com o Banco Central brasileiro.
estratégia brasileira de fortalecimento de seu mercado local e não dependência do mercado internacional permitiu o sucesso da economia durante a recessão. As políticas de inclusão social adotadas pelo governo ajudaram a recuperar 4 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza entre 2003 e 2008, de acordo com o IBGE. O Brasil possui agora mais de 100 milhões de consumidores ativos com renda entre US$500 e US$2.000 por mês.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Presidente Lula, um plano de desenvolvimento que investe na melhoria e na expansão de infra-estruturas, é um exemplo do compromisso de governo na redução das desigualdades sociais. O PAC planeja investir mais US$290 bilhões, a partir de 2007, quando foi lançado, até 2010, de acordo com o Banco Central brasileiro.
O futuro O Brasil continuará a seguir sua própria direção e não seguirá os passos do modelo centralizado da China, ou o modelo de capitalismo avançado dos EUA.
"O Brasil continuará a ser uma economia de mercado, mas o governo terá um papel importante na promoção do desenvolvimento. O governo oferecerá incentivos de investimentos através da criação de políticas e da promoção de parcerias públicas e privadas", disse Chohfi.
As relações bilaterais com a China, o principal parceiro de comércio do Brasil, transcendem as negociações comerciais. China e Brasil desenvolveram uma importante parceria científica e tecnológica.
"Nós [Brasil e China] criamos juntos o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), que é um programa especial de monitoramento de recursos naturais. O CBERS já lançou três satélites", disse Cohfi.
"O mercado brasileiro é complexo, mas uma vez entendido, ele é muito fértil para fazer negócios, disse Gil.
http://www.ibtimes.com/articles/20090709/brazil-offers-samba-confidence-investors.htm
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