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Infraestrutura tem de assegurar qualidade na transmissão dos jogos e dar suporte ao uso intensivo da internet

Por: Valor Econômico Especial

Nos planos para a copa do Mundo de 2014, a infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação (TIC) ainda não entrou em campo. Apesar do atraso nas discussões, a TIC. Está no cerne do evento e será responsável pela transmissão dos jogos. Na prática, garante para a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a receita com publicidade e com a venda de imagens e conteúdo. Em 2014, o maior evento midiático do planeta terá o desafio de transmitir som e imagem em alta definição para televisores, computadores e dispositivos móveis espalhados pelo planeta. E difícil prever que tipo de aparelho ou tecnologia estará na moda ou no auge. O fato é que, além de transportar conteúdo multimídia, uma parruda estrutura de TIC terá de acompanhar o crescimento das redes sociais das ferramentas de interação e das aplicações para compartilhamento e armazenamento de informações de diretamente na web, como a computação em nuvem. Em nenhum outro mundial, as exigências em torno da internet serão tão grandes.

Receberemos uma copa digital e interativa, na qual os torcedores vão utilizar amplamente os sis temas para compartilhar alegrias, opiniões e frustrações. Para vencer a concorrência do conteúdo e das imagens que serão jogadas na rede mundial pelos torcedores, a Fifa terá de apostar na qualidade" Afirma Petrônio Nogueira, responsável pela área de mídia e telecomunicações da Accenture.

As exigências da Fifa para um atendimento de TIC são altas e o evento sempre esteve ligado às novidades tecnológicas. Em 1966, a Europa assistiu aos jogos ao vivo, transmitidos por satélite. Em 1970, na Copa do México, foi a vez do Brasil, que alem de tempo real, viu a primeira transmissão em cores dos jogos no país Em 1974. chegaram por aqui os telões em praça pública. As décadas que se seguiram foram fundamentais para aprimorar a imagem com a inclusão de inúmeras câmeras para captar imagens em todo o campo e as transmissões ao vivo. Em 1998, a França emplacou a primeira transmissão digital em larga escala. O avanço da TIC permitiu que em 2006, na Alemanha, ocorresse a convergência definitiva das mídias eletrônicas como rádio, TV aberta e paga, internet e celular O mundial germânico teve outro marco foi o primeiro totalmente gelado com Imagens de alta definição. É impossível dissociar Copa de tecnologia", lembra o diretor-executivo de tecnologia da Embratel, Ivan Campagnoli, experiente na cobertura da Copa do Mundo. A Embratel é uma das principais parceiras da Rede Globo de Televisão, que detém os direitos para a transmissão no Brasil, e está empolgada com o evento de 2014.

Para o Brasil, além de a convergência entre a TV de alta definição e internet estar sacramentada, os especialistas apostam na transmissão tridimensional (3D) e na holografia como ferramentas que prometem incrementar a distribuição dos jogos. Outro desafio é dar suporte ao crescimento da mobilidade. Em 2014, as redes de terceira geração (3G) brasileiras já estarão ultrapassadas e os turistas vão chegar por aqui com dispositivos móveis preparados para acessar a internet móvel em taxas que nem imaginamos. Os recursos exigirão largura de banda, disponibilidade de rede e contratos que garantam a qualidade da nossa internet. "O número de pessoas e de equipamentos conectados vai aumentar muito até 2014. Além disso, haverá tecnologia dentro e fora de campo. Tudo estará ligado em rede", diz Luis Minoru Shibata, diretor da consultoria PromonLogica1is.

Segundo a Fifa, o mundial da Alemanha teve audiência acumulada de 23,6 bilhões de pessoas. A instituição prevê o mesmo desempenho na África do Sul. No Brasil, a medição deve ser afetada pelo crescimento mundial da TIC. Relatório da Accenture, que reuniu dados de institutos de pesquisa, mostra que em 2015 haverá 2,25 bilhões de computadores em todo o mundo e 5,4 bilhões de telefones celulares. Projeções cio Cartner Group apontam crescimento de 176,2% no número de consumidores com conexões de alta velocidade no globo entre os anos de 2007 e 2012. "Receberemos entre 600 mil e 1 milhão de turistas, que estarão somados a 200 milhões de brasileiros. Além deste público, 3,3 bilhões de espectadores vão assistir aos jogos pela televisão (digital ou analógica), pelo celular, em seus computadores ou outros meios", lembra Nogueira.

A internet é um dos aspectos críticos que o Brasil precisa atacar para oferecer uma conexão de qualidade, com garantia de entrega do serviço em nível internacional. A partida está em andamento, exigindo grandes investimentos na infraestrutura de telecomunicações, com a construção e expansão das redes fixas e móveis de alta velocidade. Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), serão necessários investimentos anuais na casa de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos para resolver os gargalos em telecomunicações. Em 2008, as operadoras aportaram R$ 17,5 bilhões, de acordo com a instituição. O volume não considera a demanda da Copa, mas a própria evolução do consumo interno dos serviços. "Os investimentos estão acontecendo. Acredito que, para a Copa, teremos infraestrutura suficiente", diz Shibata.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Dados e Mercado (Abeprest) indica que banda larga fixa e móvel será o grande motivador para aporte de recursos financeiros em telecomunicações neste ano, absorvendo entre R$ 13,2 bilhões e R$ 14,7 bilhões. Desse total, R$ 4,4 bilhões devem ser direcionados à prestação de serviços de instalação, construção, expansão, manutenção e operação de redes. O Brasil terá o desafio de elaborar um planejamento capaz de assegurar a vitória nos 90 minutos e não correr o risco de levar a disputa para a prorrogação, ou seja, evitar atrasos no atendimento dos requisitos do caderno de encargos, como na África do Sul. "Estamos muito atrasados nos planos para atender à Copa. A construção de estádios é apenas um dos pontos. Já passou a hora de incluirmos a tecnologia nos projetos", afirma Nelson Wortsman, diretor de convergência tecnológica da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

A preocupação com a internet procede porque, embora o ritmo de crescimento de usuários conectados no Brasil seja acelerado, a qualidade cio serviço deixa muito a desejar. Em 2008, um estudo divulgado pela Cisco revelou que a banda larga brasileira é uma das piores do mundo. Ficamos em 38° lugar em um ranking de 42 países, superando apenas Chipre, México, China e Índia. A primeira posição foi ocupada pelo Japão. No Brasil, o índice de teledensidade não chega a 6 conexões velozes para cada grupo de 100 habitantes. Em países desenvolvidos, a média está acima de 25 conexões. No mapa brasileiro, a situação da banda larga piora muito na região Norte, com menos de 3 links de alta velocidade para cada 100 habitantes, e no Nordeste, onde o índice é inferior a 2. "Ocupamos o 56° lugar no ranking de prontidão tecnológica do World Economic Forum. A lista inclui 134 países e estamos atrás da África do Sul, que sustenta a 49a posição", destaca Nogueira.

Para a Copa do Mundo, a Fifa exigirá capacidade em TIC nos estádios, no transporte de dados entre Estados e cidades e a disponibilidade nos municípios que receberão os jogos. O centro nevrálgico da operação de tecnologia será o International Broadcast Center (IBC), ou centro de mídia, que conglomera infraestrutura para abrigar as redes de TV,os estúdios, mesas de edição de imagem, rádio, redações de jornais, equipes de conteúdo pela internet e uma parafernália tecnológica capaz de armazenar e disseminar imagem e som em alta definição para todo o mundo. São esperados 3 mil jornalistas residentes no centro durante o mundial.

A cidade de instalação ainda não foi definida. A expectativa do mercado é que o IBC fique com Rio de Janeiro ou São Paulo, cidades que podem garantir redundância para a operação, oferecer hospedagem para os trabalhadores dos centros e receber sinais das 12 cidades escolhidas para abrigar os jogos. Em apoio ao IBC, todos os estádios terão centro de imprensa, espaço para que os caminhões das TVs fiquem estacionados e cabeamento para conexão total de informações com a rede da Copa e serviço de satélite para tomadas ao vivo. "A Fifa exige uma infraestrutura com três saídas para as informações, garantindo total disponibilidade das imagens", diz Emerson Hioky, diretor de tecnologia e planejamento das empresas de telecomunicações do grupo AES. A torcida da AES é para o eixo Rio-São Paulo, onde suas redes de fibra óptica estão concentradas.

Na avaliação de José Luís de Souza, sócio-diretor da consultoria Teleco, as 12 cidades escolhidas para abrigar os jogos da Copa possuem boa oferta de fibra óptica, principalmente nas chamadas zonas comerciais, que concentram o tráfego em alta velocidade. Se necessário, serão feitos acréscimos, levando a fibra a pontos específicos, diz, lembrando que existem tecnologias disponíveis para aumentar a capacidade da fibra instalada. "A tecnologia para compactar informações também estará avançada em 2014, o que permitirá melhor utilização das redes instaladas", diz Shibata.

Os gargalos conhecidos por todo o mercado estão nas cidades de Manaus (AM) e Cuiabá (MT). Denis Minev, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, admite que telecomunicações é um problema seríssimo em Manaus, onde apenas a Embratel chega com fibra óptica. Para piorar a situação, a cidade é ponto final de fibra e peca na oferta de redundância. As redes ópticas são projetadas em anéis para garantir a saída das informações. Como ponto final, Manaus fica sem opções de rota, caso ocorra problemas em algum trecho da rede. Além disso, falta capacidade para transmissão, uma vez que a infraestrutura não dá conta nem da demanda atual. Para driblar o problema, o Estado negocia com a Oi a construção de um segundo link, que deve conectar Manaus a Boa Vista (RR), com saída para a Venezuela e acesso ao cabo submarino do Caribe. "O projeto está em fase de licenciamento ambiental", afirma.

Outro caminho será o de aproveitar o linhão Tucurui-Manaus-Macapá, que carregará fios de energia elétrica no meio da floresta, para criar outra rota para a rede, com saída pelo Amapá. A Embratel acredita que, no caso de Manaus, os investimentos para expansão serão feitos de qualquer forma. A Copa deve apenas acelerar o processo. "É uma região carente de conexão e na qual estamos de olho. As empresas que forem escolhidas como transportadoras pela Fifa vão investir", diz Campagnoli. Em Cuiabá (MT), chegam às redes ópticas da Oi (pela infraestrutura da Brasil Telecom) e da Embratel, o problema é que o ponto final é no Estado do Acre, sem ligação também em anel.

Do ponto de vista da comunicação internacional, o Brasil está bem servido de cabos submarinos. Além da Embratel, há mais quatro empresas presentes com cabos na costa brasileira, ligando a nossa internet ao mundo com folga. "É hora de planejar para termos um legado de TIC. Além de conexão entre as sedes, os projetos podem envolver a criação de cidades inteligentes", diz Wortsman.

Segundo ele, levai' banda larga para os estádios, criar áreas com acesso à banda larga e investir na capacitação das populações envolvidas com os jogos podem ser o principal gol do Brasil em 2014. Para entender os impactos dos jogos, a Brasscom iniciou um estudo, em parceria com empresas de tecnologia, paira identificar os principais pontos de investimento. "Além

de aproveitar a receita que virá com a Copa, ternos de nos preparar. Não dá para comparar 2014 com nenhum outro mundial quando o assunto é o impacto da tecnologia. O crescimento mundial da banda larga nos coloca uma responsabilidade enorme nas mãos."

A lição de Wortsman é seguida à risca pelo Estado do Ceará, onde o projeto cio Castelão está em linha com o programa de governo que quer implantar banda larga em toda Fortaleza. A capital é ponto de presença de todos os cabos submarinos que ligam a América do Sul ao Caribe e América do Norte e, para se conectar ao mundo, precisa apenas de uma rede metropolitana mais robusta. "Nosso projeto cria um estádio conectado à rede de fibra óptica, que, por sua vez, será a base para a construção de uma infraestrutura de banda larga em Fortaleza", diz o secretário de Esporte do Estado, Ferrucio Feitosa.

Segundo ele, dentro do Castelão haverá muita tecnologia, como redes sem fio e tecnologias de TI verdes. Entre os destaques, está o fornecimento de energia eólica. "Tudo no estádio, até a TIC, tem conceito sustentável. Queremos de fato a Copa Verde", destaca.

Infraestrutura tem de assegurar qualidade na transmissão dos jogos e dar suporte ao uso intensivo da internet

Nos planos para a copa do Mundo de 2014, a infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação (TIC) ainda não entrou em campo. Apesar do atraso nas discussões, a TIC. Está no cerne do evento e será responsável pela transmissão dos jogos. Na prática, garante para a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a receita com publicidade e com a venda de imagens e conteúdo. Em 2014, o maior evento midiático do planeta terá o desafio de transmitir som e imagem em alta definição para televisores, computadores e dispositivos móveis espalhados pelo planeta. E difícil prever que tipo de aparelho ou tecnologia estará na moda ou no auge. O fato é que, além de transportar conteúdo multimídia, uma parruda estrutura de TIC terá de acompanhar o crescimento das redes sociais das ferramentas de interação e das aplicações para compartilhamento e armazenamento de informações de diretamente na web, como a computação em nuvem. Em nenhum outro mundial, as exigências em torno da internet serão tão grandes.

Receberemos uma copa digital e interativa, na qual os torcedores vão utilizar amplamente os sis temas para compartilhar alegrias, opiniões e frustrações. Para vencer a concorrência do conteúdo e das imagens que serão jogadas na rede mundial pelos torcedores, a Fifa terá de apostar na qualidade" Afirma Petrônio Nogueira, responsável pela área de mídia e telecomunicações da Accenture.

As exigências da Fifa para um atendimento de TIC são altas e o evento sempre esteve ligado às novidades tecnológicas. Em 1966, a Europa assistiu aos jogos ao vivo, transmitidos por satélite. Em 1970, na Copa do México, foi a vez do Brasil, que alem de tempo real, viu a primeira transmissão em cores dos jogos no país Em 1974. chegaram por aqui os telões em praça pública. As décadas que se seguiram foram fundamentais para aprimorar a imagem com a inclusão de inúmeras câmeras para captar imagens em todo o campo e as transmissões ao vivo. Em 1998, a França emplacou a primeira transmissão digital em larga escala. O avanço da TIC permitiu que em 2006, na Alemanha, ocorresse a convergência definitiva das mídias eletrônicas como rádio, TV aberta e paga, internet e celular O mundial germânico teve outro marco foi o primeiro totalmente gelado com Imagens de alta definição. É impossível dissociar Copa de tecnologia", lembra o diretor-executivo de tecnologia da Embratel, Ivan Campagnoli, experiente na cobertura da Copa do Mundo. A Embratel é uma das principais parceiras da Rede Globo de Televisão, que detém os direitos para a transmissão no Brasil, e está empolgada com o evento de 2014.

Para o Brasil, além de a convergência entre a TV de alta definição e internet estar sacramentada, os especialistas apostam na transmissão tridimensional (3D) e na holografia como ferramentas que prometem incrementar a distribuição dos jogos. Outro desafio é dar suporte ao crescimento da mobilidade. Em 2014, as redes de terceira geração (3G) brasileiras já estarão ultrapassadas e os turistas vão chegar por aqui com dispositivos móveis preparados para acessar a internet móvel em taxas que nem imaginamos. Os recursos exigirão largura de banda, disponibilidade de rede e contratos que garantam a qualidade da nossa internet. "O número de pessoas e de equipamentos conectados vai aumentar muito até 2014. Além disso, haverá tecnologia dentro e fora de campo. Tudo estará ligado em rede", diz Luis Minoru Shibata, diretor da consultoria PromonLogica1is.

Segundo a Fifa, o mundial da Alemanha teve audiência acumulada de 23,6 bilhões de pessoas. A instituição prevê o mesmo desempenho na África do Sul. No Brasil, a medição deve ser afetada pelo crescimento mundial da TIC. Relatório da Accenture, que reuniu dados de institutos de pesquisa, mostra que em 2015 haverá 2,25 bilhões de computadores em todo o mundo e 5,4 bilhões de telefones celulares. Projeções cio Cartner Group apontam crescimento de 176,2% no número de consumidores com conexões de alta velocidade no globo entre os anos de 2007 e 2012. "Receberemos entre 600 mil e 1 milhão de turistas, que estarão somados a 200 milhões de brasileiros. Além deste público, 3,3 bilhões de espectadores vão assistir aos jogos pela televisão (digital ou analógica), pelo celular, em seus computadores ou outros meios", lembra Nogueira.

A internet é um dos aspectos críticos que o Brasil precisa atacar para oferecer uma conexão de qualidade, com garantia de entrega do serviço em nível internacional. A partida está em andamento, exigindo grandes investimentos na infraestrutura de telecomunicações, com a construção e expansão das redes fixas e móveis de alta velocidade. Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), serão necessários investimentos anuais na casa de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos para resolver os gargalos em telecomunicações. Em 2008, as operadoras aportaram R$ 17,5 bilhões, de acordo com a instituição. O volume não considera a demanda da Copa, mas a própria evolução do consumo interno dos serviços. "Os investimentos estão acontecendo. Acredito que, para a Copa, teremos infraestrutura suficiente", diz Shibata.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Dados e Mercado (Abeprest) indica que banda larga fixa e móvel será o grande motivador para aporte de recursos financeiros em telecomunicações neste ano, absorvendo entre R$ 13,2 bilhões e R$ 14,7 bilhões. Desse total, R$ 4,4 bilhões devem ser direcionados à prestação de serviços de instalação, construção, expansão, manutenção e operação de redes. O Brasil terá o desafio de elaborar um planejamento capaz de assegurar a vitória nos 90 minutos e não correr o risco de levar a disputa para a prorrogação, ou seja, evitar atrasos no atendimento dos requisitos do caderno de encargos, como na África do Sul. "Estamos muito atrasados nos planos para atender à Copa. A construção de estádios é apenas um dos pontos. Já passou a hora de incluirmos a tecnologia nos projetos", afirma Nelson Wortsman, diretor de convergência tecnológica da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

A preocupação com a internet procede porque, embora o ritmo de crescimento de usuários conectados no Brasil seja acelerado, a qualidade cio serviço deixa muito a desejar. Em 2008, um estudo divulgado pela Cisco revelou que a banda larga brasileira é uma das piores do mundo. Ficamos em 38° lugar em um ranking de 42 países, superando apenas Chipre, México, China e Índia. A primeira posição foi ocupada pelo Japão. No Brasil, o índice de teledensidade não chega a 6 conexões velozes para cada grupo de 100 habitantes. Em países desenvolvidos, a média está acima de 25 conexões. No mapa brasileiro, a situação da banda larga piora muito na região Norte, com menos de 3 links de alta velocidade para cada 100 habitantes, e no Nordeste, onde o índice é inferior a 2. "Ocupamos o 56° lugar no ranking de prontidão tecnológica do World Economic Forum. A lista inclui 134 países e estamos atrás da África do Sul, que sustenta a 49a posição", destaca Nogueira.

Para a Copa do Mundo, a Fifa exigirá capacidade em TIC nos estádios, no transporte de dados entre Estados e cidades e a disponibilidade nos municípios que receberão os jogos. O centro nevrálgico da operação de tecnologia será o International Broadcast Center (IBC), ou centro de mídia, que conglomera infraestrutura para abrigar as redes de TV,os estúdios, mesas de edição de imagem, rádio, redações de jornais, equipes de conteúdo pela internet e uma parafernália tecnológica capaz de armazenar e disseminar imagem e som em alta definição para todo o mundo. São esperados 3 mil jornalistas residentes no centro durante o mundial.

A cidade de instalação ainda não foi definida. A expectativa do mercado é que o IBC fique com Rio de Janeiro ou São Paulo, cidades que podem garantir redundância para a operação, oferecer hospedagem para os trabalhadores dos centros e receber sinais das 12 cidades escolhidas para abrigar os jogos. Em apoio ao IBC, todos os estádios terão centro de imprensa, espaço para que os caminhões das TVs fiquem estacionados e cabeamento para conexão total de informações com a rede da Copa e serviço de satélite para tomadas ao vivo. "A Fifa exige uma infraestrutura com três saídas para as informações, garantindo total disponibilidade das imagens", diz Emerson Hioky, diretor de tecnologia e planejamento das empresas de telecomunicações do grupo AES. A torcida da AES é para o eixo Rio-São Paulo, onde suas redes de fibra óptica estão concentradas.

Na avaliação de José Luís de Souza, sócio-diretor da consultoria Teleco, as 12 cidades escolhidas para abrigar os jogos da Copa possuem boa oferta de fibra óptica, principalmente nas chamadas zonas comerciais, que concentram o tráfego em alta velocidade. Se necessário, serão feitos acréscimos, levando a fibra a pontos específicos, diz, lembrando que existem tecnologias disponíveis para aumentar a capacidade da fibra instalada. "A tecnologia para compactar informações também estará avançada em 2014, o que permitirá melhor utilização das redes instaladas", diz Shibata.

Os gargalos conhecidos por todo o mercado estão nas cidades de Manaus (AM) e Cuiabá (MT). Denis Minev, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, admite que telecomunicações é um problema seríssimo em Manaus, onde apenas a Embratel chega com fibra óptica. Para piorar a situação, a cidade é ponto final de fibra e peca na oferta de redundância. As redes ópticas são projetadas em anéis para garantir a saída das informações. Como ponto final, Manaus fica sem opções de rota, caso ocorra problemas em algum trecho da rede. Além disso, falta capacidade para transmissão, uma vez que a infraestrutura não dá conta nem da demanda atual. Para driblar o problema, o Estado negocia com a Oi a construção de um segundo link, que deve conectar Manaus a Boa Vista (RR), com saída para a Venezuela e acesso ao cabo submarino do Caribe. "O projeto está em fase de licenciamento ambiental", afirma.

Outro caminho será o de aproveitar o linhão Tucurui-Manaus-Macapá, que carregará fios de energia elétrica no meio da floresta, para criar outra rota para a rede, com saída pelo Amapá. A Embratel acredita que, no caso de Manaus, os investimentos para expansão serão feitos de qualquer forma. A Copa deve apenas acelerar o processo. "É uma região carente de conexão e na qual estamos de olho. As empresas que forem escolhidas como transportadoras pela Fifa vão investir", diz Campagnoli. Em Cuiabá (MT), chegam às redes ópticas da Oi (pela infraestrutura da Brasil Telecom) e da Embratel, o problema é que o ponto final é no Estado do Acre, sem ligação também em anel.

Do ponto de vista da comunicação internacional, o Brasil está bem servido de cabos submarinos. Além da Embratel, há mais quatro empresas presentes com cabos na costa brasileira, ligando a nossa internet ao mundo com folga. "É hora de planejar para termos um legado de TIC. Além de conexão entre as sedes, os projetos podem envolver a criação de cidades inteligentes", diz Wortsman.

Segundo ele, levai' banda larga para os estádios, criar áreas com acesso à banda larga e investir na capacitação das populações envolvidas com os jogos podem ser o principal gol do Brasil em 2014. Para entender os impactos dos jogos, a Brasscom iniciou um estudo, em parceria com empresas de tecnologia, paira identificar os principais pontos de investimento. "Além

de aproveitar a receita que virá com a Copa, ternos de nos preparar. Não dá para comparar 2014 com nenhum outro mundial quando o assunto é o impacto da tecnologia. O crescimento mundial da banda larga nos coloca uma responsabilidade enorme nas mãos."

A lição de Wortsman é seguida à risca pelo Estado do Ceará, onde o projeto cio Castelão está em linha com o programa de governo que quer implantar banda larga em toda Fortaleza. A capital é ponto de presença de todos os cabos submarinos que ligam a América do Sul ao Caribe e América do Norte e, para se conectar ao mundo, precisa apenas de uma rede metropolitana mais robusta. "Nosso projeto cria um estádio conectado à rede de fibra óptica, que, por sua vez, será a base para a construção de uma infraestrutura de banda larga em Fortaleza", diz o secretário de Esporte do Estado, Ferrucio Feitosa.

Segundo ele, dentro do Castelão haverá muita tecnologia, como redes sem fio e tecnologias de TI verdes. Entre os destaques, está o fornecimento de energia eólica. "Tudo no estádio, até a TIC, tem conceito sustentável. Queremos de fato a Copa Verde", destaca.



 
    Opinião:
 

“Para 2010 os números são animadores. As projeções para o setor de TI apontam um crescimento de aproximadamente 15%, na comparação com 2009.”

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