Pessoas Qualificadas


A grande escala e a qualidade da mão-de-obra presentes no país atualmente, atreladas à capacidade de formar um número cada vez maior de profissionais que respondam às demandas do mercado com efetividade, são um dos diferenciais brasileiros.

Acompanhando a tendência de crescimento econômico, o Brasil investiu nas últimas duas décadas em prol da universalização da educação. Entre a população de 7 a 14 anos, 97,9% está na escola, distribuída em nove anos do ensino fundamental, o que corresponde a cerca de 27 milhões de estudantes. O ensino médio, de três anos, abriga 9,4 milhões de estudantes.

A educação profissional, que inclui, além do ensino técnico, graduações tecnológicas de curta duração e cursos de qualificação profissional, é frequentada por 6 milhões de pessoas. De acordo com o último Censo da Educação Superior, ingressaram no ensino superior em 2008 mais de 5,8 milhão de pessoas, em 2.252 instituições.

O desafio de atender à demanda de mão-de-obra do mercado de TI-BPO que vem crescendo a uma taxa média de 6,5% ao ano nos últimos quatro anos é compartilhado por instituições públicas e privadas de ensino instaladas em todas as regiões do país. Segundo o Ministério da Educação, em levantamento realizado em 2007, há no Brasil 1.714 cursos ligados diretamente à área de tecnologia da informação, do ensino técnico à graduação. Estima-se que mais de 220 mil pessoas estejam sendo atualmente profissionalizadas para atuar no mercado. Consideram-se nessa estimativa também cursos de matemática, física e algumas áreas da engenharia, pois não é incomum no país profissionais com essas formações passarem a compor a mão-de-obra de TI-BPO.

Está em andamento um plano de expansão que vai dobrar o número atual de vagas oferecidas pela rede federal de ensino técnico e tecnológico, saltando das atuais 250 mil para 500 mil vagas até 2010. A qualificação em tecnologia da informação será priorizada nessa iniciativa.

QUALIFICAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA TAMBÉM É PRIORIDADE

O conhecimento de outros idiomas além do oficial do país deve compor a qualificação dos profissionais de TI-BPO, particularmente quando o enfoque se volta para o mercado externo. No Brasil, o inglês é língua estrangeira obrigatória no currículo escolar do ensino fundamental e do ensino médio; muitos estudantes e profissionais recorrem também a cursos complementares, amplamente disseminados pelo país. Entre as maiores economias em desenvolvimento, o Brasil é o segundo em falantes de inglês (10,2 milhões), número inferior apenas ao da Índia.

Também o espanhol e o francês são muito ensinados no país, sobretudo em cursos particulares. A existência de comunidades de imigrantes garante ainda a oferta de profissionais com proficiência em italiano, alemão, japonês e árabe, entre outras línguas.

A qualificação em idiomas é um dos maiores desafios do país em seu processo de internacionalização. Para superá-lo, a Brasscom tem trabalhado intensivamente, em estreita parceria com o governo e a iniciativa privada, na implementação de programas de curto, médio e longo prazo.

COMPROMETIMENTO E FLEXIBILIDADE

O Brasil tem um dos maiores contingentes de programadores de Cobol e Java no mundo, segundo a IDC. Certifica também grande número de profissionais por ano em Unix, Linux, Natural, .Net, C++, entre outras linguagens.

Com base em entrevistas realizadas com executivos do setor, a IDC observa que os profissionais brasileiros são reconhecidos pela qualidade da entrega e pelo comprometimento. São considerados flexíveis, isto é, não têm medo de enfrentar os desafios que lhes são apresentados e também não têm receio de expor os problemas que eventualmente aconteçam durante os projetos, o que se deve a uma visão mais holística do processo. São avaliados também como inovadores e criativos.

A rotatividade das equipes no Brasil gira em torno de 4% e tende a ser ainda menor em projetos globais. Para os clientes especialmente de serviços terceirizados offshore, esse fator tem alto impacto sobre produtividade, qualidade, custo de treinamento e transição e, consequentemente, sobre o custo total do projeto. Equipes estáveis mantêm o conhecimento sobre o negócio, processos e sistemas, cuja transferência se dá em geral nas fases iniciais do projeto.